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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vaticano nega que papa poderia renunciar em 2012

O Vaticano negou que o papa Bento 16 estaria pensando em renunciar ao cargo no próximo ano, quando completa 85 anos. Na Alemanha, papa pede união, mas deixa povo frustrado.


O Vaticano desmentiu a reportagem de um jornal italiano publicada neste domingo que dizia que o papa Bento 16 estaria considerando renunciar ao cargo no próximo ano, quando completa 85 anos.

"A saúde do papa está excelente", disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi. "Nós não sabemos nada sobre isso. Pergunte para a pessoa que escreveu isso."



O escritor católico Antonio Socci, escrevendo para a edição de domingo do jornal Libero, disse que o papa estava considerando renunciar em abril de 2012, quando ele completa 85 anos. Ele não citou nenhuma fonte ou razões.

Em um livro no ano passado, o papa disse que poderia não hesitar em se tornar o primeiro pontífice a renunciar em mais de 700 anos, se ele não se sentir mais apto, "fisicamente, psicologicamente e espiritualmente", a liderar a Igreja Católica.

Lombardi disse que o papa "estava indo muito bem" durante a viagem a sua terra natal, a Alemanha. "É claro que ele ainda é capaz de ligar com compromissos muito difíceis", afirmou.

Diversos papas na história recentes, incluindo o último, João Paulo 2o, consideraram renunciar por razões de saúde.

Papa pede união na Alemanha, mas deixa povo frustrado

O papa Bento 16 fez um apelo por unidade neste domingo para os católicos de seus país-natal, a Alemanha, que estão deixando a Igreja Católica em número recorde, mas muitos dos que foram ouvi-lo disseram ter ficado decepcionados com a sua mensagem conservadora.

Durante seu principal discurso em uma viagem de quatro dias, em uma missa para dezenas de milhares de pessoas em um pequeno aeroporto perto da cidade de Freiburg, no sudoeste alemão, o papa pediu que os católicos se unissem em apoio à sua própria liderança.

"A Igreja na Alemanha vai continuar sendo uma bênção para todo o mundo católico se ela permanecer fielmente unida com o sucessor de São Pedro," afirmou, referindo-se a si próprio.

Sua terceira viagem como papa a seu país-natal foi também a mais difícil. Ele encontrou protestos sobre os escândalos de abuso sexual por padres e pressão por parte de uma ala liberal cada vez mais assertiva da Igreja, que pede reformas e vê o conservadorismo como antiquado.

Bento 16 fechou as portas para o casamento gay, o casamento do clero ou à presença de mulheres padres, além de ter indicado que não vai amenizar restrições aos católicos divorciados e que se casaram novamente fora da igreja.

De Berlim a Erfurt e Freiburg, ele espalhou sua visão de que a Igreja não pode mudar meramente para se adequar aos caprichos dos tempos. Mas pesquisas dizem que os alemães católicos discordam. Cerca de 181 mil deixaram a Igreja neste ano, um recorde. Pela primeira vez, esse número superou os que chegaram à Igreja e os que deixaram as igrejas protestantes.

Muitos dos 100 mil fiéis que foram ao aeroporto em Freiburg disseram estar frustrados pela negativa em mudança por parte do papa. "Eu esperava que ele poderia levar as pessoas à Igreja, especialmente os jovens", afirmou Martine Kircher, 50, que levou seus quatro filhos para ver o papa. "Mas ele não mostrou sinais de renovação. Em vez disso, parece estar remando de volta aos antigos valores."

Mesmo em uma sociedade cada vez mais secularizada, as igrejas católica e protestante são grandes instituições na Alemanha.

Cerca de um terço da população é católica, outro terço é protestante e o restante é composto por pessoas sem religião ou de grupos como muçulmanos e judeus. Membros precisam pagar uma taxa à igreja, que ajuda a financiar programas sociais, educacionais e de saúde.

Holder Gasch, 37, um dos fiéis que foram à missa neste domingo, disse à Reuters: "A Igreja precisa ser mais progressista em sua atitude em relação ao homossexualismo e às mulheres."

Vários líderes católicos e até alguns bispos exortaram o papa nas últimas semanas a permitir algumas reformas, um pedido aparentemente rejeitado pelo pontífice no sábado, quando ele disse que, sem uma fé renovada, "todas as reformas estruturais continuarão ineficazes."

O assunto do abuso sexual de crianças por parte de padres está sendo muito comentado durante a viagem. No início da visita, ele disse que a Igreja era feita de "peixes bons e peixes maus" e exortou os Católicos a não deixarem a fé devido aos escândalos.

A Igreja na Alemanha recebeu quase 700 pedidos de indenização por vítimas de abuso sexual e psíquico. A associação de vítimas calcula que mais de 2.000 pessoas podem ter sofrido nas mãos de padres católicos nas últimas décadas.

Bento 16 realizou uma visita surpresa a vítimas de abuso em Erfurt, na sexta-feira.

Fonte: Estadão e Folha.com

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