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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Em entrevista, Anthony Garotinho ataca a Copa e duvida de Dilma

O deputado e pré-candidato ao governo do RJ afirma que a gestão de segurança pública de Cabral e Beltrame é marketing.


A movimentação política no escritório do deputado federal Anthony Garotinho, do PR-RJ, no centro do Rio de Janeiro, é intensa mesmo para uma noite de segunda-feira. Quando está na cidade (em geral entre sexta-feira e segunda), o entra e sai do seu gabinete é constante. Vem gente de todo lugar do Estado em busca de orientação para a campanha eleitoral de 2014 que promete ser, no Rio, uma das mais emboladas, complicadas e tensas da história. 


Garotinho recebeu o Terra para uma entrevista exclusiva em um intervalo entre essas muitas reuniões. A seu lado, sempre vigilante com todos os detalhes, a filha, a deputada estadual Clarissa Garotinho. Clarissa se preocupa com a camisa (consegue um blazer porque a camisa listrada pode sair mal na gravação) e o visual do que está por trás da cena: tira dois quadros, tenta colocar uma bandeira do Estado (Garotinho rejeita a ideia) e até mesmo de que cadeira é melhor para ele sentar. Se preocupa com o que diz o pai “em off”, já que o gravador continua ligado.

Durante a entrevista, Garotinho não foge de nenhum tema. Não faz nenhum tipo de pedido. Deixa no ar uma possível candidatura de Lula no lugar de Dilma Rousseff à Presidência da República em outubro e se recusa até mesmo a confirmar que o PR do Rio vá apoiar Dilma no Estado em um inédito palanque quádruplo. E bate pesado nos que considera seus principais adversários político do momento, a TV Globo e o ex-governador Sérgio Cabral.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista: 

Terra - Por que o senhor quer voltar a ser governador do Rio?

Anthony Garotinho - Em 1998 eu peguei um Estado endividado, destroçado, onde os funcionários públicos não tinham data sequer para receber seus vencimentos. Reorganizei as finanças públicas, renegociei a dívida do Estado e fiz um governo com tantas políticas públicas vitoriosas, políticas sociais, educacionais, inovações na área segurança pública, que o Rio de Janeiro me projetou ao ponto de ser candidato à presidência da República e ter quase 16 milhões de votos. O desejo que tenho no meu coração é que o Rio volte a crescer e que saia desse ciclo que Sérgio Cabral colocou: de violência, de abandono da educação, abandono da saúde, crescimento pequeno do Estado. Meu desejo é fazer o Estado voltar a crescer. 

Terra - As pesquisas mais recentes apontam o senhor como líder na intenção de voto para o governo do Rio, tendo muito próximos o senador Marcelo Crivella e o senador Lindbergh Farias, e atual governador Luiz Fernando Pezão um pouco mais distante. Isso quer dizer que as eleições vão ser muito disputadas este ano no Rio?

Garotinho - Pesquisas, nessa altura do campeonato, refletem um pouco do conhecimento dos candidatos. Estou em primeiro lugar porque as pessoas lembram das minhas realizações; das 28 mil casas que construí. Fui eu que trouxe de novo a esperança para o setor Naval; implantei a indústria automobilística levando a Peugeot/Citroën para o sul do Estado. E as pessoas lembram disso. No decorrer da campanha cada um vai mostrar seu projeto de futuro e creio que minha liderança vai se ampliar. Por quê? Porque quem tem mais passado, conhece melhor o presente e pode projetar um futuro melhor. 

Terra - O senhor definiria algum dos outros candidatos como seu principal adversário?

Garotinho - Não. O meu principal adversário é um grupo de mídia poderoso que teve seus privilégios tirados por mim no Estado, que são as Organizações Globo. Quando assumi o governo do Estado os seguros do Estado eram feitos pela Roma, Roberto Marinho Seguros, sem licitação. Fizemos a licitação e a empresa que ganhou, ganhou pela metade do preço. As salas de telecurso no Rio, milhares de salas, eram todas colocadas pelo Telecurso 2º Grau, da Fundação Roberto Marinho e sem licitação. Fizemos a licitação e ganhou o Senai com um preço 30% menor. Então a Globo vai fazer uma campanha poderosa contra mim. Mas tenho um grande aliado ao meu lado: o povo. Que diz na rua: “Fora Rede Globo”. Não tenho medo de adversário nenhum, e nem tenho medo da Globo. Mas sei que a força do povo é maior que a força da Globo.

Terra - O senhor está preparado para enfrentar isso?

Garotinho - Estou.

Terra - Como o senhor vê a situação da presidente Dilma, que tem de quatro a cinco palanques para subir no Rio. Ela já manifestou a preferência dela pelo candidato do PMDB, o governador Pezão, tem o candidato do partido dela, o senador Lindberh Farias, o senhor, o senador Marcelo Crivella e talvez a deputada Jandira Feghali.

Garotinho - Isso tudo por enquanto é só teoria. A própria Dilma, se especula, que nem será mais candidata. No caso do PR, uma reunião da convenção municipal, nós já havíamos definido que vamos escolher o candidato a presidente da República em prévias. Vamos apoiar a Dilma ou não? Vamos apoiar Aécio ou não? Vamos apoiar Eduardo ou não? Ou não vamos apoiar ninguém. Eu encontro gente na rua que diz: “Olha, Garotinho, gosto muito do Aécio e pelo que ele fez em Minas, acho que o Brasil precisa voltar a crescer. Meu voto é Garotinho governador e Aécio presidente”. Outro me diz: “Olha Garotinho, seus projetos sociais se parecem muito com os da Dilma. Você fez O Cheque Cidadão, ela fez o Bolsa Família; Você fez a Farmácia Popular, ela fez a Farmácia do Brasil; você deu apoio ao ensino à distância e ela também; você fez o Jovens pela Paz e ela fez o Projovem, e vou votar na Dilma presidente e Garotinho governador”. E tem os que dizem: “Vou votar em princípios e gosto dos princípios da Marina Silva. E vou votar no Eduardo porque tem princípios. E para governador, quem tem princípios é o Garotinho”. Então o que eu estou percebendo é que presidente cada um tem o seu, mas para governador todo mundo é Garotinho.

Terra - Parece que parte do seu partido, liderada pelo senador capixaba Magno Malta, teria abandonado o apoio à presidente Dilma e o deputado Bernardo Medina, também do seu partido, lançou em Brasília o movimento Volta Lula. O senhor assinou ou pretende assinar essa carta? 

Garotinho - Eu não acho que a bancada federal seja o fórum adequado para essa discussão. O fórum adequado é a direção do partido. Eu não assinei a carta, a bancada do Rio, que é a maior bancada do PR, com sete deputados, vamos procurar a direção nacional e externar nossa posição que é: ter liberdade de escolher nas prévias o candidato a presidente que nós vamos escolher. 

Terra - Então o PR no Rio ainda não tem candidato a presidente?

Garotinho - Não.

Terra - O PR deveria ter candidato próprio à presidência da República?

Garotinho - O senador Magno Malta tem se colocado como pré-candidato. Mas essa é uma discussão que tem que feita em âmbito nacional. Ele é um excelente senador, tem uma vida pública de seriedade. Presidiu a CPI do narcotráfico, prendeu grandes criminosos nesse País. É um homem que tem uma bandeira forte que é o combate à pedofilia e é uma candidatura que merece ser respeitada e discutida no âmbito do partido.

Terra - Este ano há um movimento do ex-governador Cabral para tentar eleger o atual governador Luiz Fernando Pezão na reeleição de outubro, numa espécie de transferência de votos. Em Campos, em 1992, o senhor conseguiu eleger um chamado “poste”, que era o então secretário Sérgio Mendes, que na época era chamado, no jingle de campanha, de “Garotinho de novo”. Em Campos não deu certo. Como o senhor vê a transferência de votos no caso de Cabral para Pezão?

Garotinho - Você, para transferir votos, precisa ter votos. Naquela época eu tinha 94% de aprovação. O Sérgio Cabral tem 80% de reprovação. Essa é a diferença. Eu transferi votos para o Sérgio Mendes naquela época e o povo votou nele porque queria a continuidade do meu governo. Eu imagino se o Pezão disser que é Cabral de novo. Ele vai ter menos votos do que já tem. Vai conseguir perder pro último dos últimos colocados. Cabral hoje não tem votos para transferir para ninguém.

Terra - Este ano a campanha coincide com a Copa do Mundo. O Pezão vai ter vantagem com isso?

Garotinho - Acho que isso não influencia. Tenho que ser franco. Vou externar uma opinião que eu sinto que devo falar. Alguns políticos, hoje, dizem que vão fazer pesquisa qualitativa para saber o que o povo quer ouvir. As lideranças políticas não devem falar o que o povo quer ouvir, mas o que o povo precisa ouvir. Você considera correto o Brasil gastar R$ 38 bilhões numa Copa do Mundo enquanto as pessoas não têm escola, não tem hospital, não têm emprego? Eu não considero. O Brasil deveria ter dito assim: nós temos outras prioridades. A Dinamarca foi convidada para sediar uma Olimpíada e declinou do convite, dizendo que preferia usar o dinheiro em saúde, educação e transporte. Fico imaginando um estádio como o de Brasília. Com todo respeito aos brasilienses. Depois da Copa o grande clássico vai ser Gama e Sobradinho. 

Quantos torcedores vamos ter no jogo? O estádio vai virar um elefante branco. O estádio de Manaus que custou quase R$ 800 milhões enquanto a média do campeonato é de 800 torcedores. Muitos brasileiros pensam como eu: torcem pelo Brasil, queremos que o Brasil seja campeão, vamos estar na torcida, mas a gente preferiria que esse dinheiro fosse gasto com saúde, educação e algo mais importante para a população. Porque apenas três setores estão ganhando dinheiro com a Copa: primeiro a Globo, que tem os direitos de transmissão e que vai vender a preço de ouro esses direitos, fora os patrocínios. Imagina quanto que a Globo não está faturando por conta da Copa. Por isso está promovendo a Copa. Está pouco se lixando se o povo está sem água, sem casa. Ela quer é faturar o dela. Segundo os empreiteiros, que estão fazendo obras faraônicas, que depois não vão servir para nada para o povo, mas vai encher o bolso deles; depois a Fifa, que já declarou que a Copa do Brasil vai render quatro vezes mais que a Copa da Alemanha. A gente espera pelo menos ganhar a Copa. Pelo menos o troféu. 

Terra - Esse pensamento vale também para os Jogos Olímpicos. Se o senhor for eleito qual o seu compromisso com a Rio 2016?

Garotinho - Vamos fazer Olimpíada, não tem mais jeito. Mas que foi um absurdo foi. Há uma diferença, porque uma é concentrada no Rio e a outra é espalhada pelo Brasil. O Brasil não precisava ter 12 sedes. Com oito teríamos economizado pelo menos R$ 3 bilhões. Dois Maracanãs. Vamos fazer Olimpíadas, mas com pé no chão. Não precisa dessas ideias mirabolantes de derrubar perimetral, isso e aquilo. Pé no chão. 

Terra: Queria tocar no tema denunciado pelo senhor que ficou conhecido com a Gangue dos Guardanapos, que era uma foto do ex-governador Sérgio Cabral, em Paris, ao lado do então presidente da Delta Fernando Cavendish e alguns secretários de governo. O senhor ficou com a impressão de que o caso não foi investigado como deveria e acabou arquivado?

Garotinho: Fiquei com impressão, não. Tenho certeza. Houve uma operação “Abafa Guardanapo”, que foi para livrar a cara do Sérgio Cabral e do Fernando Cavendish. Mas há de uma que ele não vai escapar. Se ele conseguiu, mexendo os pauzinhos, junto com o PT em Brasília, evitar a convocação dele na CPI do Cachoeira, você pode ter certeza de, dos 32 pen drives, apreendidos na casa de Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras, tem um dedicado só a Sergio Cabral. Na lista dos que recebiam propina, Sérgio Cabral é top de linha, e disso aí ele não vai ter como escapar. 

*O ex-governador Sérgio Cabral não quis se manisfestar sobre a entrevista de Garotinho. 

Terra - O Brasil e principalmente o Rio foram sacudidos pelos protestos populares ano passado durante a Copa das Confederações. O senhor chegou a ser acusado de fomentar os protestos, que tiveram como alvo principal o ex-governador Sérgio Cabral. Qual é sua opinião sobre isso?

Garotinho - Seria muita ingenuidade qualquer pessoa acreditar que eu teria a capacidade de mobilizar 100 mil pessoas na rua. Nós tivemos passeata com 300 mil pessoas na rua. Cabral me tornou uma espécie de Geni. Primeiro foi greve de Bombeiros: toca no Garotinho; greve de polícia: toca no Garotinho; greve de professor: toca no Garotinho; greve de gari: toca no Garotinho. Passeata de protesto: toca no Garotinho. Espera aí. Tudo é culpa do Garotinho? Isso não tem o menor cabimento. O movimento que aconteceu no Rio e em todo o Brasil foi espontâneo. A novidade desse movimento é que, pela primeira vez na história do Rio, teve o governador vaiado na manifestação em São Paulo, na avenida Paulista. Isso nunca tinha acontecido antes. Ele conseguiu uma rejeição que ultrapassou as fronteiras do Estado e isso sim é grave.

Terra - A ação da polícia foi muita criticada. O senhor, que já foi governador e secretário de Segurança. A polícia perdeu o controle ou não sabia o que fazer?

Garotinho - A polícia do Estado é vítima da política de marketing de Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame. Vou dizer para você uma série de irresponsabilidades. Primeiro: ocupar sem prender bandido. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Segundo: transmitir uma 


ocupação ao vivo. Um repórter estrangeiro me ligou e perguntou se isso era verdade. Terceiro: o curso de formação de policiais caiu de dois anos para seis meses. Você gostaria de ser operado por um médico com seis meses formação? Como você forma um policial em seis meses e entrega uma arma na mão dele? Você está pedindo para ele morrer ou para ele matar. Não coloco totalmente a culpa na polícia, mas na política de segurança equivocada que está sendo feita no Estado. Tudo o que é feito às pressas dá nisso. Segurança é um processo. Fizemos um processo quanto criamos o Instituto de Segurança Pública, as Áreas Integradas de Segurança Pública, as delegacias legais, o setor de inteligência. A desmontagem do Comando Vermelho com a prisão de Marcinho VP, Marcelo PQD, Facão, Fernandinho Beira-Mar. Era um processo. Não fizeram política de segurança: fizeram marketing. Transferiram bandido da cidade do Rio para o interior, para a Baixada, para Niterói. O Cabral criou um novo produto de exportação: o bandido. 

Terra - Sendo eleito, qual seria sua posição sobre o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora do seu antecessor, Sérgio Cabral. Seu governo pretende dar continuidade a esse projeto?

Garotinho - O que é uma Unidade Pacificadora de Polícia? Um latão? Porque aquilo só tem um latão. Unidade Pacificadora de Polícia dá ideia de um batalhão. Mas não tem nada. Só um container. Está tudo errado. A política de pacificação é uma coisa, e ela tem que prever: a prisão dos criminosos; depois a ocupação social e a ocupação policial. Mas isso não pode tirar o policial da rua totalmente. O que temos hoje é uma desproporção total. Em São Gonçalo, você tem uma população de um milhão de habitantes com 400 policiais. Na Rocinha você 75 mil habitantes com 700 policiais. E o que acontece? Uma explosão de violência em outras áreas do Estado. Eu apelidei esse processo de pacificação de “farsificação”. É uma farsa o que está acontecendo no Rio de Janeiro.

Terra - E qual é a solução?

Garotinho - A solução é fazer as coisas direito. Como a gente vinha fazendo. Construindo batalhões policiais, capacitando policiais. Investindo na prevenção, na modernização do aparelho policial. Quando assumi fui eu que comprei pistola .40 quando a polícia usava revolver calibre 38. Não tinham colete à prova de balas. Não tinha aparelho de escuta. É investindo em tecnologia, capacitação policial para que as coisas se ajustam. Não é com marketing. Se tirar o latão da comunidade o que sobra? Nada. Não tem nada. 

Terra - As pessoas das comunidades reclamam que depois das polícias não chega quase nada de concreto. 

Garotinho - Um dos grandes crimes do governo Cabral foi acabar com os programas sociais que nós tínhamos na comunidade. Outro dia visitei a Cidade de Deus e me perguntaram se a escolinha do Zico que funcionava ali não iria voltar. Eu disse que sim. Os jovens participavam. Outro dia fui na Maré e perguntaram se os Jovens Pela Paz, iria voltar. O Naldo foi do Jovens pela Paz e hoje é cantor. O que os jovens precisam é de oportunidade. Vamos voltar com todos os 60 programas sociais que nós tínhamos. 

Terra - O seu chefe de polícia civil, na época, Alvaro Lins, chegou a ser preso posteriormente por envolvimento com milícias. E o senhor chegou a ser acusado de formação de quadrilha e condenado junto com ele. O que senhor tem a dizer sobre isso?

Garotinho - O juiz que apreciou esse caso seria como convidar o Eurico Miranda para apitar um jogo entre Flamengo e Vasco. O juiz do caso é amigo pessoal de Ricardo Teixeira, meu inimigo. Contra quem eu movi uma ação tão forte que ele teve que renunciar da CBF e fugir do Brasil. Esse mesmo juiz estava nomeado em cargo de confiança por Sérgio Cabral. Você acha que ele pode ter isenção? É um processo político e nada mais do que isso.

Terra - O senhor já recebeu uma série de multas este ano por parte do TRE por propaganda antecipada e já foi obrigado a retirar conteúdos do Facebook, e também proibido de não distribuir brindes, além de já ter sido condenado pelo TRE por abuso de poder em eleições em Campos. O senhor se acha perseguido pela Justiça eleitoral?

Garotinho - Não. Acho que o TRE não está cumprindo a lei. O TRE não pode ir além do que diz a lei. A lei não proíbe que se faça uma promoção e sorteie um brinde. O que a lei proíbe é que se distribua brindes em período eleitoral. Eu sou um comunicador. Tenho um programa e os brindes são sorteados no meu programa. A lei não te proíbe de falar das suas realizações. Ela proíbe que você peça voto como candidato. Você está me entrevistando e estou falando das minhas realizações. Estou cometendo um crime? Não. Acho que há uma interpretação fora da lei, não é por má fé. 

Terra - O senhor acha que pode ser punido por essa entrevista?

Garotinho - Sei lá. Eu fui punido por entrevistar a Rosinha quando ela era pré-candidata a prefeita de Campos. Daqui a pouco podem processar você também.

Terra - O senhor é dos políticos que mais usam as redes sociais. Estar na rede é fundamental para um político? O caminho dessa eleição serão as redes sociais?

Garotinho - O meu caminho foi esse porque eu não tinha outro. Você não assiste a uma entrevista minha nas grandes emissoras de televisão desde 2006. Sou um sobrevivente. Eles tiraram tudo de mim. Achavam que eu estava morto e fui o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro com 700 mil votos. Como eu não tinha espaço, eu criei esse espaço e fui para o mundo virtual. Fui crescendo junto com esse mundo. Primeiro o blog, depois o Twitter, o Facebook e o Instagram. O espaço que me restou para me comunicar e me defender contra as mentiras que lançaram contra mim foi o espaço virtual. 

Terra - No início de sua carreira, o senhor criticava o então prefeito de Campos, Zezé Barbosa, por criar uma oligarquia no município com três mandatos. Na época sua música da campanha que o elegeu prefeito era “O tostão vai vencer o milhão”. De lá até hoje, senhor já foi prefeito de Campos duas vezes, elegeu um sucessor e elegeu sua mulher como prefeita duas vezes. Isso também não é uma oligarquia?
Garotinh - Pelo contrário. Estou lutando contra todas as oligarquias do Rio de Janeiro. Veja quem está contra mim: a Globo, que é um monopólio, as empresas de ônibus, outro monopólio; a Supervia, que contrata seguranças para bater nos passageiros. Todos os poderosos estão contra mim. Eu só troquei de caixotinho. Naquela época eu subia num caixotinho na porta das usinas contra os poderosos. Hoje tenho adversários mais poderosos. Continuo o mesmo Garotinho do lado do povo contra os poderosos.

Terra - Para terminar, o senhor se sente discriminado por se declarar evangélico?

Garotinho - Acho que há uma mentira que precisa ser esclarecida. Nunca misturei política com religião. Vou à igreja com regularidade. Muitos pensam que sou pastor. Não sou pastor, sou teólogo. Quem vai à igreja em tempos de eleição só para pedir votos, esse é quem mistura política com religião. Tem quem vire candidato e vai à igreja para o pastor por a mão na cabeça e pede voto. Eu não. Tenho minha fé, não nego a minha fé. Respeito todas as religiões. Sou presbiteriano, mãe católica e sou de formação católica. 

Terra - O senhor pensa em algo mais que o governo do Rio?

Garotinh - Isso é o tempo que vai dizer. Tem uma frase na bíblia que diz: “Um dia de cada vez. Cada dia com seu fardo.”

Fonte: Terra




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