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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Bento 16 comemora cinco anos de pontificado em meio a maior crise da Igreja Católica na era moderna

Em meio a uma das maiores crises envolvendo a Igreja Católica na era moderna devido aos escândalos de abusos sexuais cometidos por padres, o papa Bento 16 completa nesta segunda-feira (19) cinco anos de pontificado.

Desde março, quando começaram a salpicar as denúncias sobre os abusos em diversos países, igreja e papa têm sido duramente criticados pela imprensa internacional por abafarem os casos e por não punirem os padres pedófilos.


“A igreja vive numa crise como ela só viveu no século 19 com o pensamento moderno, com os avanços da ciência. Foi uma crise institucional muito forte. Depois teve uma crise menos forte, mas que durou muito tempo, e que levou ao Concílio Vaticano 2º em 1962. Mas a de agora é uma crise de adaptação ao mundo pós-moderno”, afirma o religioso Frei Betto.

A opinião de Frei Betto, um dos maiores expoentes da Teologia da Libertação no Brasil, movimento fortemente combatido pelo então cardeal Joseph Ratzinger (nome de batismo de Bento 16), também é defendida pelo vaticanista Marco Politi.

“Não me lembro de um pontificado da era moderna que tenha vivido uma crise maior do que esta”, reconheceu Politi à agência de notícias AFP. “Tantas controvérsias acabaram por dividir os católicos, que sentem que a igreja está dividida e não tem o mesmo poder de influência que existia com João Paulo 2º”, conclui.

As críticas feitas ao papa, porém, não se limitam aos casos de abusos sexuais cometidos por padres. Especialistas ouvidos pelo UOL Notícias avaliam que Bento 16 tem sido um líder pouco carismático, “desengonçado” ao se relacionar com as pessoas, e conservador.

“Se esperava que ele fosse um papa desengonçado do ponto de vista do relacionamento com as pessoas e ele tem sido. De vez em quando dá uns foras. Fala coisa fora do protocolo de um chefe de Estado”, avalia Luiz Felipe Pondé, professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da Faap.

Para Pondé, o papa tem seguido a linha já adotada por João Paulo 2º. “O Bento 16 continua investindo em certos valores dos últimos 25, 30 anos importantes para a Igreja Católica, como o combate ao uso de preservativos e o investimento na ideia de família de caráter indissolúvel.”

“Nesses cinco anos ele ainda não mostrou a que veio em termos de implementação do Concílio Vaticano 2º de renovação da igreja. Pelo contrário, ele tem levantado o freio de mão da igreja adotando uma série de medidas como restauração de liturgias arcaicas tradicionalistas”, afirma Frei Betto.

Já para Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo e coordenador de projeto do Núcleo de Fé e Cultura, no pontificado de Bento 16 a figura do papa é vista mais como “um sábio enviado de Deus que indica os caminhos da igreja” e menos como o administrador da Santa Fé.

“Com o Bento 16, a Igreja Católica reaparece no cenário internacional como alguém que tem alguma coisa a dizer sobre os problemas no mundo inclusive com a capacidade de articulação intelectual e cultural para dialogar com todos os ambientes.”

Carismático?
Enquanto os especialistas ouvidos são unânimes em dizer que João Paulo 2º foi um papa muito carismático, há controvérsias com relação à simpatia do atual pontífice.

De acordo com o frade dominicano Frei Betto, “Bento 16 tem o azar de ser um papa carrancudo depois do carisma midiático do João Paulo 2º”. “Não considero o Bento 16 carismático. Eu diria até mais, eu acho ele anticarismático. Eu, como bom mineiro, fico com o pé atrás diante de pessoas que não sorriem”, afirma.

Entretanto, para o sociólogo Ribeiro Neto, Bento 16 é, sim, uma figura carismática. Segundo ele, desde o Concílio Vaticano 2º, a Igreja Católica deu início a um processo no qual o carisma do papa deixa de ser um atributo da personalidade do cardeal e passa a ser algo inerente ao cargo.

Polêmico

Bento 16 também tem sido criticado por algumas frases polêmicas. Com pouco mais de um ano de pontificado, o papa citou, em uma universidade na Alemanha, a crítica de um imperador bizantino do século 14 ao Islã –de que todas as coisas que Maomé trouxe foram “más e desumanas”– para afirmar que a violência era “incompatível com a natureza de Deus”. Mais tarde o papa se disse “profundamente sentido” por ter ofendido a sensibilidade dos muçulmanos.

Enquanto que, para Frei Betto, Bento 16 tem “sido muito infeliz no diálogo com outras religiões”, para o Ribeiro Neto, há uma segunda intenção por trás de algumas frases.

“O Bento 16 tem uma capacidade muito grande de diálogo. Inclusive tem uma capacidade de usar, não de forma calculada, certos escândalos como provocação para um diálogo maior. O grande problema que acontece é que, frequentemente, o que a mídia fica sabendo é apenas aquele momento de provocação do escândalo. Já as consequencias não costumam aparecer”, defende o sociólogo. De acordo com Ribeiro Neto, dessa polêmica envolvendo o papa, surgiu um diálogo muçulmano-cristão.

Fpnte:UOL

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